REABILITAÇÃO PÓS-COVID


Somente no Brasil, mais de 20 milhões de pessoas foram curadas do novo coronavírus. No mundo, são mais de 230 milhões de pessoas recuperadas. Embora o momento seja de alegria e alívio pela recuperação de todas essas pessoas, não podemos deixar de nos preocuparmos com as sequelas dessa doença, que ainda estão sendo investigadas. De acordo com o Alerta Epidemiológico da OMS, as principais complicações documentadas, além das relacionadas ao sistema respiratório, são neurológicas, incluindo delírio ou encefalopatia, acidente vascular cerebral, meningoencefalite, alteração do sentido do olfato e do paladar, ansiedade, depressão e distúrbios do sono.

Na minha prática profissional devo me reinventar neste momento, como profissional da Educação Física, aplico um protocolo de intervenção para atendimento de pacientes pós-Covid. Desta maneira, posso contribuir o mais cedo possível na reabilitação do paciente, oferecendo o início de um treinamento físico, logo após a alta hospitalar.

É notório o crescimento da busca por programas de reabilitação pós-Covid, mas o alívio da cura acaba colocando em segundo plano sintomas que a maioria das pessoas pensam ser transitórios, mas que se tornam incapacitantes a longo prazo se não houver tratamento. O ideal é que o paciente seja acompanhado por um Educador Físico, capacitado, para identificar sintomas como persistência de falta de ar, descondicionamento cardíaco, respostas fisiológicas de pressão arterial e frequência cardíaca alteradas, sarcopenia, alterações sensoriais e dores neuropáticas de extremidades, alterações da continência esfincteriana, assim como comprometimento na esfera cognitiva (atenção, memória recente, ansiedade, irritabilidade e depressão).

Na minha intervenção terapêutica, avalio cada novo paciente e traço os objetivos específicos para cada um. O trabalho inclui o treinamento aeróbio, o treinamento resistido, orientações sobre atividades físicas adaptadas, orientações sobre saúde e continuidade da prática de exercícios continuados.

Muitos pacientes pós-Covid grave, senão a maioria, chegam aos profissionais para reabilitação em cadeira de rodas para locomoção. Então, cada necessidade deve ser avaliada e trabalhada de acordo com a condição física de cada indivíduo. Um tempo médio de tratamento é de 3 a 4 meses, com uma frequência semanal de 3 à 5 sessões, variando de acordo com os objetivos traçados para cada paciente.


O exercício físico é importante para a melhora da independência, resistência cardiorrespiratória, força muscular, equilíbrio, coordenação motora, controle das comorbidades, correção postural, manutenção do peso ideal, entre outros. Também tenho como objetivo incentivar a prática de atividade física após o período de reabilitação, para manutenção e aprimoramento dos ganhos obtidos e assim alcançar uma melhora da qualidade de vida.

Durante o período de tratamento, de maneira geral, realizo a recuperação do sistema cardiovascular a partir do treinamento aeróbico contínuo ou intervalado de intensidade moderada. Quando há queixa de dores que limitam o movimento e diminui a dinâmica respiratória, utilizo alongamentos e exercícios direcionados à melhoria da postura e do padrão motor. Além disso, quando necessário, utilizo de técnicas de relaxamento muscular.

Preciso ser enfático quanto a necessidade do exercício físico para a reabilitação. O exercício físico é imprescindível em vários aspectos: físico, mental e social. Quando o indivíduo é acometido por alguma doença que o debilita, acaba gerando um déficit de atenção, baixa produtividade, além de dificuldades na realização de atividades do dia a dia. Por meio do exercício físico é possível estimular a liberação de hormônios do bem-estar e promover melhora da mobilidade, tornando-o novamente um cidadão integrado a sociedade.


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