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  • Emanuel Vladimir Castro

A cura em nossas mãos

Atualizado: 5 de Set de 2018

Podemos reprogramar o nosso Código Genético.



Segundo o Projeto Genoma Humano temos 30 mil genes (bem menos que os 2 milhões que se acreditava na década de 60). Por outro lado, esses genes representam menos de 2% do DNA de nossas células!A Epigenética (palavra derivada do grego que significa “além da genética”), descobriu que o restante do DNA das células tem o papel de regular, por meio de alterações químicas, o uso dos genes pelo nosso organismo (expressão genética), além de formar a estrutura dos cromossomos. Sendo assim, a Epigenética estuda como o ambiente e a história do indivíduo influenciam a expressão genética. Um desses processos, chamado Metilação do DNA, define quais genes são ativos e quais não são. Desta forma, a célula pode usar somente uma parte dos genes para produzir as proteínas que precisa e não usar o restante. O conjunto dessas marcações no DNA é chamado de código epigenético. A Metilação do DNA sofre influência da alimentação, do comportamento, dos aspectos psicológicos, do estilo de vida e do ambiente. Essa influência ocorre por meio de sinais dentro da célula, gerados por receptores que ficam em sua superfície, em resposta a diversos estímulos ambientais.Já está claro, que algumas deficiências nutricionais na mãe durante a gestação podem aumentar a tendência do filho a ter diabetes, obesidade e doenças cardíacas ao longo de sua vida. Acredita-se que essa influência possa ser explicada por alterações epigenéticas. A boa notícia é que estas alterações no DNA são reversíveis, o que ajuda a explicar como alterações no estilo de vida, podem aumentar ou diminuir a tendência a se desenvolver certas doenças. Durante o inverno de 1944-45, a Holanda sofreu uma fome terrível como resultado da ocupação alemã. As mulheres continuaram a conceber e a ter filhos nesses tempos difíceis, e essas crianças são hoje adultos com cerca de setenta anos. Estudos recentes revelaram que estes indivíduos – expostos a restrições calóricas no útero materno – têm uma taxa mais elevada de doenças crónicas, como diabetes, doença cardiovascular e obesidade, que os seus irmãos, nascidos no pós-guerra. Os primeiros meses de gravidez parecem ter tido o efeito mais importante no risco de doença. Como algo ocorrido muito antes do nascimento pode influenciar a vida 60 anos mais tarde? A resposta parece residir nas adaptações epigenéticas do feto como resposta às carências nutricionais a que esteve sujeito. Hoje já sabemos que indivíduos expostos a fome no útero têm um menor grau de Metilação de um gene implicado no metabolismo da insulina (o gene do fator de crescimento semelhante à insulina tipo II) do que os seus irmãos não expostos (Heijmans et al., 2008). Outro exemplo, já nos dias de hoje, a ingestão insuficiente de ácido fólico está também implicada em certas anomalias de desenvolvimento em humanos, como espinha bífida e outros defeitos no desenvolvimento do tubo neural. Para evitar esses defeitos é muito usual prescrever suplementos de ácido fólico a mulheres grávidas ou que pretendam engravidar (Hayes et al., 2009). Nos indivíduos adultos os componentes dos alimentos têm a capacidade de causar modificações epigenéticas. Por exemplo, brócolis e outros vegetais crucíferos contêm isotiocianatos, que podem aumentar a acetilação de histonas. O polifenol epigalocatequina-3-galato, presente em chá verde, tem várias funções biológicas, incluindo a inibição de Metilação de ADN. A cúrcumina, presente em açafrão-da-índia (Cúrcuma longa), pode ter múltiplos efeitos na ativação de genes, visto que inibe a Metilação de ADN e modula a acetilação de histonas.Isto posto, estudos epidemiológicos sugerem que populações que consomem elevadas quantidades de alguns destes alimentos parecem ser menos propensas a certas doenças (Siddiqui et al., 2007). Mas muitos destes compostos têm outras funções biológicas além dos efeitos epigenéticos. Um alimento pode conter múltiplas moléculas biologicamente ativas, tornando difícil estabelecer uma correlação direta entre atividade epigenética e efeito global no organismo. Finalmente, todos os alimentos sofrem várias transformações no trato digestivo, mas não se sabe que percentagem de composto ativo atinge realmente o alvo molecular.Estudos demonstram que modificações epigenéticas estão envolvidas no desenvolvimento de muitas doenças, incluindo doenças crônicas e degenerativas. As células tornam-se malignas, ou cancerosas, quando modificações epigenéticas desativam genes supressores de tumores, genes que evitam proliferação celular excessiva (Esteller, 2007). Sendo estas modificações epigenéticas reversíveis, há grande interesse em encontrar moléculas - especialmente fontes dietéticas - que possam reverter estas alterações prejudiciais e evitar o desenvolvimento de doençasTodos sabemos que uma dieta rica em fruta e vegetais é saudável, mas há cada vez mais evidências de que pode ser muito mais do que isso e ter implicações muito significativas na saúde a longo prazo e, há quem diga, na perpetuação da espécie humana.

Referências

  1. Esteller M (2007) Epigenetic gene silencing in cancer: the DNA hypermethylome.Human Molecular Genetics

  2. Gerhauser C (2013) Cancer chemoprevention and nutri-epigenetics: state of the art and future challenges. Topics in Current Chemistry

  3. Hayes E, Maul H, Freerksen N (2009) Folic acid: why school students need to know about it. Science in School

  4. Heijmans BT et al. (2008) Persistent epigenetic differences associated with prenatal exposure to famine in humans. Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA

  5. Painter R et al. (2008) Transgenerational effects of prenatal exposure to the Dutch famine on neonatal adiposity and health in later life. BJOG: An International Journal of Obstetrics & Gynaecology

  6. Siddiqui IA et al. (2007) Tea beverage in chemoprevention and chemotherapy of prostate cancer. Acta Pharmacol Sinica


Segundo o Projeto Genoma Humano temos 30 mil genes
O DNA sofre influência da alimentação, do comportamento, dos aspectos psicológicos, do estilo de vida e do ambiente.

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